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Mudanças no mundo corporativo: Qual deveria ser o meu novo passo de carreira?

O processo de transição de carreira torna-se um fato na vida de um executivo em duas situações: por iniciativa deste, na busca por novas alternativas de mercado para o desenvolvimento de sua carreira, ou após uma demissão, fazendo com que tenha que buscar um novo emprego para manter seu equilíbrio financeiro

Em ambos os casos, as variações emocionais representam uma ameaça ao equilíbrio necessário durante o processo, principalmente quando este se encontra na segunda situação, quando é demitido da empresa em que trabalha. 

 

Transição de carreira para demissão inesperada

 

Há quem diga que a perda de um emprego, quando não esperada, se assemelha à perda de um ente querido. 

Sentimentos como raiva, frustração, tristeza e sensação de perda, são possíveis de serem vivenciar nessa fase. 

Esse momento na vida do profissional representa mais do que a busca por qualquer emprego, sem que este esteja, necessariamente, alinhado à sua carreira.

Ele deve estar vinculado aos seus valores, interesses profissionais e competências identificadas para aquela atividade que o novo cargo irá demandar.

O processo de transição, portanto, tem como princípio responder a uma pergunta que, em ambas as situações, inquieta o executivo que vai para o mercado: “Qual deveria ser o meu novo passo de carreira?”.

 

Saiba reconhecer suas competências e defina seus próprios valores

As empresas, como entidades vivas, têm seus valores, culturas, momentos e a necessidade de utilizar as habilidades de seus colaboradores para atingir seus objetivos de mercado

Com isso, quero dizer que é possível que não exista o emprego dos sonhos, mas, com certeza, o executivo terá maiores chances de sucesso e, consequentemente, maior satisfação, se a empresa em que trabalhar valorizar suas competências e estiver alinhada com os seus valores. 

 

Transição para o novo emprego

 

A transição para um novo emprego é apenas um passo na carreira que, supostamente, o executivo traçou para si assim que iniciou suas atividades profissionais.

O novo emprego deveria valorizar, portanto, três aspectos fundamentais:

  • Exigir do profissional as habilidades e competências que ele realmente possui para a condução de suas atividades; 
  • Colocá-lo em contato com pessoas, assuntos e desafios que ele realmente gosta e aprecia interagir;
  • Remunerar seu trabalho dentro de suas expectativas de vida.

A pior situação que um profissional pode vivenciar é quando, após um processo de transição, iniciar num novo emprego e, após 6 meses, deixar a organização porque não deu certo. Isso é extremamente frustrante. Ele passa a se sentir inútil e incapaz de retomar sua carreira.

 

Evite transição de carreira inadequada

Como, então, é possível evitar essa transição inadequada? 

A melhor resposta é planejando sua transição e selecionando a organização que quer trabalhar do ponto de vista do seu perfil e o daquele desejado pela organização. 

Não pense que essa responsabilidade é da empresa, uma vez que você irá passar por um processo seletivo complexo e com inúmeras entrevistas. 

A responsabilidade também é sua, se não for apenas sua, se olhada do ponto de vista da sua carreira.

Se você tomou a decisão de deixar a área que vem atuando, seja porque não gosta mais do que faz ou porque tenha definido uma nova estratégia para a sua carreira, a primeira consideração a ser feita é a de que você não estará levando consigo suas principais habilidades, aquelas que construiu e os diferenciou até agora. 

 

Entenda o processo!

Você irá se deparar com concorrentes que já atuam na área e, possivelmente, para obter uma oportunidade, terá de retroagir na posição que ocupa no momento. 

Quero dizer com isso que, por exemplo, se você já alcançou a posição de gerente financeiro e agora pretende trabalhar na área de marketing, talvez tenha que considerar assumir a posição de um coordenador ou assistente de marketing.

Não veja isso como uma regressão, o que só o é no curto prazo. Considere que está fazendo a transição que mais lhe interessa no momento e que sua carreira agora toma outro rumo e, se a escolha foi correta, o levará a atuar onde realmente quer e gostaria de estar.

A mudança de área é mais fácil de ser realizada dentro na própria organização em você que estiver trabalhando. 

Digo isso porque as pessoas na organização já o conhecem e sabem de suas competências gerenciais. 

Você deveria, então, com o marketing pessoal, se apresentar aos decisores da nova área que tem interesse, que possam lhe oferecer uma chance. 

Veja que as competências funcionais ou técnicas você poderá desenvolvê-las por meio de um curso de especialização para dar início à carreira e depois você segue se aprimorando com a experiência na nova função.

Porém, se não estiver trabalhando, as suas chances de iniciar em uma nova área contando com o novo emprego, são muito pequenas, pois sempre disputará a posição com profissionais que já atuam e podem entregar resultados de imediato. O headhunter, portanto, não irá considerá-lo.

 

Exemplo real de transição de carreira

 

Quando um gerente regional de vendas me contou que estava já há cinco anos nessa função em uma indústria americana de produtos químicos e que não gostaria de continuar nessa carreira, mesmo atingindo bons resultados, havia decidido migrar para a área de marketing. 

Em nossas discussões se deveria deixar a organização e buscar um novo emprego ou se manter na mesma, chegamos à conclusão que os cinco anos em que atuava naquela organização eram suficientes para que muitos decisores o conhecessem e tivessem uma clara impressão de suas qualidades como profissional. 

Iniciou, então, um processo de exposição e apresentação de seus planos junto a esses decisores. 

Após seis meses, uma vaga na área de marketing, como responsável por uma linha de produtos, surgiu e a ele foi dada a oportunidade.

Concluiu um curso de especialização em marketing que havia iniciado e hoje continua na empresa, bastante satisfeito e produzindo grandes resultados. Mais do que tudo, muito feliz. 

 

Autor: Sami Boulos

 

Continua no próximo artigo da série: “Mudanças no mundo corporativo”.