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Mudanças no mundo corporativo: ouvir durante as entrevistas requer preparo

Falávamos, no blog anterior, das práticas de ouvir durante uma entrevista. Uma prática muito útil é parafrasear o que você ouviu, ou seja, reafirmar, repetir uma frase de forma a parecer que concorda com o assunto. 

Quando o que deve ser lembrado é o nome de uma pessoa, repeti-lo ao ser apresentado é uma demonstração de atenção para com ela e irá soar respeitoso.

Relacionar o nome com o de alguém próximo a você também é eficiente. Cuidado com o exagero nessa técnica. Não dá para ficar repetindo tudo, mas você pode fazê-lo mentalmente.

 

Concentre-se em assuntos relevantes  para entrevista!

 

Uma outra técnica é a de se concentrar num determinado assunto relevante naquele encontro.

Essa concentração irá lhe ajudar a compreender as entrelinhas, aquilo que não está expresso, mas intencional. Uma entonação maior pode revelar uma preferência sobre as alternativas que estão sendo discutidas.

Procure manter seus olhos na maior parte do tempo, sem estarem fixos, nos de seu interlocutor, os quais dirão muito ao longo da conversa. Perceba o que chama sua atenção e como ele reage aos seus comentários e explicações.

 

Como usar o silêncio a seu favor durante a entrevista?

 

Ainda há outra técnica importante: é saber fazer uso do silêncio. As pessoas em sua maioria se incomodam com o silêncio repentino numa conversa, porém numa entrevista, o seu uso é uma demonstração de que você aguarda que seu interlocutor prossiga com suas ideias.

Ele irá preencher esse hiato com novas informações ou mais detalhes daquelas que você já recebeu.

É muito importante, pois você irá compreender melhor o cenário que envolve a posição a que está se candidatando, o que irá ser de grande ajuda em suas respostas e considerações.

Deixar que o outro se manifeste é uma forma de conhecê-lo melhor ou mesmo mais sobre a opinião dele sobre o assunto que estão discutindo. 

Mas os entrevistadores não são todos iguais e, conhecer seu estilo, é fundamental nesse processo.

Alisson Mooney, em seu livro ‘Aperte a Tecla SAP’ (Editora Gente, 2009) relaciona os tipos mais comuns de personalidades de seu entrevistador – reflexivo, racional, afetivo ou pragmático – e sua forma de melhor conduzir a conversa com cada um deles. Vale a leitura.

Assim, de uma forma muito simples e prática, você conseguirá identificar qual o estilo de seu entrevistador e, então, procurar ajustar sua conversa de uma forma que seja a mais assertiva. 

 

Estilos de entrevistadores

 

Vamos falar, aqui, de dois estilos primeiramente: o reflexivo e o racional.

Reflexivo: Seu interlocutor pode ter um estilo mais reflexivo, ou seja, ser mais imaginativo, conceitual e de visão estratégica.

Esse tipo de pessoa concentra muita importância nas novas ideias, na inovação e na visão de longo alcance. Procura mostrar que possui imaginação, porém é em geral indeciso quando deve tomar uma decisão.

Com isso, torna-se uma pessoa mais teórica do que prática. Vai dar mais atenção às suas considerações sobre como vê o futuro do que aos detalhes de sua trajetória profissional, uma vez que esta representa o passado.

Nesses casos, o ideal é você ponderar sobre suas capacidades de mudança e adaptação aos cenários futuros e mostrar como seu trabalho poderá contribuir para que a área sob sua responsabilidade seja flexível o suficiente para enfrentar as mudanças.

Racional: O segundo estilo de interlocutor é o racional e lógico. Ele vai demonstrar muito ceticismo se você fizer ponderações que não venham acompanhadas de pesquisas ou validações em fatos.

Como é estável e persistente, se preocupa menos em demonstrar emoções e valoriza muito a comunicação organizada e detalhada, sem emitir juízo de valor ou opiniões, a menos que os fatos exijam.

Para lidar bem com uma pessoa desse estilo, o ideal é falar sobre suas realizações que estejam relacionadas aos projetos que tenham sido conduzidos por você, seja no papel de líder, seja no de coadjuvante.

Nesses projetos, exige-se a capacidade de gerenciar diversos aspectos ao mesmo tempo, bem como de liderar equipes cujos membros não são subordinados diretos.

Os demais estilos irei abordar no próximo blog. Até lá!

 

Autor: Sami Boulos Filho

Continua no próximo artigo da série: “Mudanças no mundo corporativo”.