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Mudanças no mundo corporativo: as perguntas do entrevistador no processo de entrevista

Vamos nos concentrar neste blog nas questões específicas que seu entrevistador está procurando no momento do processo de entrevista.

A primeira delas é entender por que você está no processo seletivo, ou seja, o entrevistador deseja saber por que você chegou até lá. Essa questão também inclui entender por que você gostaria de trabalhar naquela organização.

 

Avaliação de postura para ter informações sobre futuro desempenho

 

Os entrevistadores valorizam sobremaneira uma postura comprometida dos candidatos, quase de encantamento, com a empresa. É, de fato, uma questão de postura. O entrevistador quer perceber se o candidato tem como um sonho trabalhar para a organização e se dará o melhor de si, ou se apenas ficará se escondendo pelos cantos esperando a jornada do dia se encerrar.

 

Experiência real!

Lembro-me de um executivo que havia deixado uma empresa para aceitar a proposta de outra. Ele atuava no sistema financeiro, vinha crescendo de forma irregular, ora com posições de comando, ora com cargos de executor de processos. Quando lhe perguntei por que havia aceitado a proposta, me respondeu que havia sido procurado por um headhunter, que o convidou a participar do processo seletivo, resultando na mudança. Então lhe perguntei qual havia sido a motivação para deixar a empresa onde estava para ingressar numa outra. A resposta, nesse caso, foi o convite de um amigo, que ele decidiu aceitar, pois a oportunidade representava um aumento na remuneração. Como ele havia passado por algumas transições, insisti na mesma pergunta. Ele foi justificando as mudanças de empresas, ora por ter sido convidado por um headhunter, ora por um contato de sua rede de relacionamentos.

 

As mudanças de empresa dizem muito sobre os objetivos (ou a falta deles)

 

Nos contatos com executivos procuro geralmente perguntar as razões pelas quais mudaram de uma empresa para outra em suas carreiras. Nove entre dez executivos respondem que fizeram a mudança porque foram convidados por um headhunter ou porque a rede de relacionamentos lhes trouxe a oportunidade. Apenas um entre dez diz que seu objetivo de carreira era mudar para determinada empresa e que tinha um plano para fazer a transição e seguir crescendo em sua carreira. Percebo que não existe outro objetivo na carreira da maioria dos executivos a não ser elevar os ganhos. Essa ausência de objetivos salta aos olhos, inclusive dos entrevistadores, e denota uma falta de comprometimento com as organizações. O entrevistador está avaliando se o profissional está comprometido com sua carreira, se a posição para a qual está sendo considerado será importante para seu crescimento, e se a transição faz parte de um plano, e não apenas “interessante para o momento”.

 

Mostre fazer parte da solução ao invés do problema

 

Como já dissemos, o entrevistador quer saber o que você pode fazer pela empresa. Como ele conhece os problemas por que passa a empresa, e principalmente aqueles que envolvem o cargo, precisa saber se você reúne as competências necessárias para resolvê-los. Na verdade, ele quer saber se você fará parte do problema ou da solução. Nesse momento, você deve apontar as histórias de sucesso de sua carreira que comprovem a capacidade de resolver os problemas da empresa. Observe que, neste ponto, você está sendo comparado com os demais finalistas e, portanto, o entrevistador vai procurar, ao longo da conversa, identificar seus diferenciais.

 

E o perfil de comportamento conta? Em alguns casos, sim!

Uma outra questão que o entrevistador busca ter respondida nesse encontro, como por exemplo, é encontrar o perfil de comportamento que esteja alinhado com o clima e a cultura organizacional. Então, ele vai querer entender seu estilo profissional, como você se relaciona com seus pares, subordinados e superiores, como reage sob pressão e qual o seu estilo de liderança e de vida fora da empresa (o que mostra seu Facebook?). 

Normalmente, nesse aspecto, as empresas não gostariam de ter em seu quadro profissionais que arriscam a vida em esportes radicais, ou mesmo que utilizem com frequência motocicletas (claro que isso não se aplica se você estiver se candidatando a uma vaga num fabricante de motocicletas), ou ainda que sejam fumantes (irrelevante, caso pretenda trabalhar num fabricante de cigarros). Na minha visão, esses comportamentos são irrelevantes, cada um conduz a vida como bem entende, porém, para as empresas, esses profissionais estão expostos a acidentes e riscos à saúde que poderão afastá-los das atividades na empresa, o que representaria prejuízo.

Nos vemos no próximo blog. Até lá!

 

Autor: Sami Boulos Filho

Continua no próximo artigo da série: “Mudanças no mundo corporativo”.