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Mudanças no mundo corporativo: A escolha da carreira acadêmica

No processo de avaliação de perfil, utiliza-se uma importante ferramenta para se compreender nossas âncoras de carreira, disponibilizada aqui na Trilha.

Trata-se da combinação de áreas percebidas de competências, motivos e valores, das quais não abrimos mão e que representam o nosso próprio eu. 

 

Como isso pode ajudar?

Edgar Schein e Thomas Delong foram os pesquisadores que, entre 1979 e 1982, conduziram o trabalho de pesquisa para identificação dessas âncoras ou “pontos de referência profissional”. 

Uma dessas âncoras – “vontade de servir, dedicação a uma causa” – tem se mostrado a mais relevante nos profissionais que se identificam com a carreira acadêmica. Isso porque escolhem essa profissão pensando nos valores fundamentais que desejam incorporar ao seu trabalho. 

Eles se norteiam mais por esses valores do que pelas suas verdadeiras aptidões ou áreas de competência. 

Suas decisões profissionais baseiam-se no desejo de melhorar o mundo, de alguma forma. São profissões de assistência ao próximo – como medicina, enfermagem, trabalho social, além da acadêmica, entre outras. 

 

Como saber se devo seguir carreira acadêmica?

Se sua principal âncora de carreira não for “vontade de servir, dedicação a uma causa”, a carreira acadêmica se tornará para você apenas corrigir dezenas de provas, o que convenhamos, é muito desgastante. 

O prazer está em ver os olhos dos alunos brilharem a cada nova informação que você traz e, ao final do curso, perceber o quanto cresceram, se desenvolveram e se tornaram pessoas e profissionais melhores com a sua ajuda.

Poder ouvir dos alunos, ao final da disciplina, “você foi o melhor professor do nosso curso”, não tem preço.

Ser um bom palestrante, com domínio do palco, apesar de ajudar nas aulas, não é o suficiente. 

 

Por onde começar a carreira acadêmica?

O ingresso para essa carreira tem como ponto de partida um mestrado acadêmico. 

É nessa formação que irá surgir o pesquisador crítico que existe dentro de cada um de nós. Agrega-se conhecimento que é fundamental para, depois, podermos nos preocupar com o desenvolvimento das habilidades docentes, o processo de aprendizagem e o papel do professor em sala de aula. 

Atualmente as principais universidades do Brasil utilizam apenas 2% de professores convidados em seu quadro de docentes, ou seja, sem as titulações de mestres ou doutores. Apenas são executivos de sucesso convidados para virem contribuir com suas experiências, de forma a validar o que se aprende em sala de aula com o que se pratica no mercado.

 

E como é o mundo acadêmico?

Essa carreira traz algumas características específicas. O mundo acadêmico gira em torno da produção de conhecimento que o professor/pesquisador desenvolve e que é, em tese, disseminado no mercado. 

Eis aí a relação que há entre a universidade e o mercado. Você pode se tornar esse pesquisador e equilibrar suas atividades entre a docência e a pesquisa. 

Normalmente essas atividades são bem equilibradas do ponto de vista de carga horária. Esses pesquisadores são contratados pelo período integral e são remunerados de acordo com a CLT

Por outro lado, essa carreira permite que você utilize parte de seu tempo, o que permitiria o desenvolvimento de outra carreira em paralelo, qualquer que seja esta.

 Você pode dedicar 12 ou 20 horas por semana, apenas com a docência, sem se envolver em demasia com a pesquisa. Digo em demasia, pois todo acadêmico é valorizado pela quantidade de conhecimento que produz, o que significa dizer que, mesmo concentrando sua atividade apenas na docência, você irá querer escrever alguns artigos acadêmicos e publicá-los em revistas especializadas. 

Note que você não está no mundo corporativo, onde suas conquistas são os próprios resultados que suas empresas alcançam por meio do seu trabalho. Na academia você é valorizado com o conhecimento e reconhecimento de suas obras, resultado das pesquisas que desenvolveu.

Com isso, essa é uma alternativa de carreira que você pode abraçar e se realizar com as atividades, desde que tenha como sua principal âncora de carreira o ‘serviço e dedicação a uma causa’. 

Assim, corrigir provas deixará de ser uma mera atividade que se deve realizar para se tornar uma ferramenta de melhorar o próximo.

 

Autor: Sami Boulos Filho

 

Continua no próximo artigo da série “Mudanças no mundo corporativo”.