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Mudanças no mundo corporativo: A consultoria como escolha de carreira

Tendemos a acreditar que alguém que atinja a posição maior numa organização, recebendo, entre salários, benefícios e bônus, ao redor de R$1 milhão/ano, é uma pessoa perfeitamente realizada e feliz. Não podemos generalizar, pois não é bem assim. 

 

Escolher profissão visando apenas remuneração não é o ideal!

A remuneração é consequência de um trabalho bem feito e que lhe traga felicidade, respeito próprio, admiração pelos demais e assim por diante. 

Nem sempre é o que acontece, pois o desafio em se escolher a carreira, para a maioria de nós, tem origem ainda na fase da educação do Ensino Médio, onde o jovem precisa tomar a decisão em qual curso prestar o vestibular.

 

A raíz do problema

O sistema de ensino brasileiro não favorece o indivíduo a tomar uma decisão quanto à sua carreira no momento mais apropriado, ou seja, quando este se sente maduro para fazê-lo.

Aos 16 ou 17 anos o jovem tem que decidir se será médico, engenheiro, advogado ou qualquer uma das 552 profissões registradas atualmente no MEC.

 

Isso gera consequências…

Talvez esse cenário de incertezas quanto ao futuro profissional, e o que mais gostaria de fazer, explique ser 60%, das matrículas em universidades públicas e privadas do país, para o curso de Administração de Empresas – até por que, ao concluir os quatro anos, o profissional poderá se aperfeiçoar em finanças, marketing, logística, recursos humanos, vendas e etc. – e irá tomar essa decisão provavelmente com a ajuda de um programa de trainee ou de estágio ao longo do período de graduação (sem dúvida, um pouco mais maduro como pessoa e como profissional).

 

Mas nem tudo está perdido!

Todo esse raciocínio é válido se sua decisão for por seguir uma carreira corporativa, numa organização, porém se olharmos do ponto de vista das possíveis carreiras que um profissional pode construir, poderíamos listar a da consultoria, a do empreendedorismo, a acadêmica e outras, além da carreira corporativa.

 

Como alcançar o sucesso profissional nessa área, então?

O que difere se um profissional irá ter maior sucesso ou não – e  aqui não vamos discutir a dimensão do termo sucesso, que varia de pessoa para pessoa – não está na análise do ponto de vista das oportunidades que estas poderão trazer, mas sim, do ponto de vista das competências exigidas do profissional em cada uma delas.

Quero dizer, não se escolhe uma carreira pensando no retorno financeiro que ela pode proporcionar ou a que está em moda, simplesmente.

 

Como trabalhar prestando consultoria

Vamos imaginar que sua escolha seja seguir a carreira em consultoria. Sob o ponto de vista das principais competências exigidas, vejamos o que isso significa.

Será necessário que você possua fundamentalmente duas competências: a capacidade de promover seu trabalho (ou seja, vender), e a capacidade de gerenciar projetos diversos ao mesmo tempo – já assumindo que você possua o conteúdo necessário do serviço que irá oferecer ao mercado (esse conteúdo poderá ser obtido tanto pela experiência adquirida ao longo de sua carreira como por aquisição de conhecimento em cursos específicos).

O formato que a sua consultoria poderá assumir pode ser:

  • No modelo individual, onde você vende e entrega o serviço;
  • Em parcerias com outras consultorias já estabelecidas – onde o seu papel pode tanto ser para a venda ou para a entrega, ou uma combinação das duas competências; 
  • Ou ainda como funcionário de uma consultoria – onde seu papel também poderá ser para vender, entregar ou ambos. 

Esses dois últimos formatos são muito adequados para aqueles que nunca trabalharam com essa atividade e, participando dos negócios e projetos das consultorias, poderão aprender a como desenvolver esse trabalho, seus processos e rotinas.

Qualquer que seja o modelo acima descrito, o mais alto grau que essa carreira poderá lhe oferecer é a posição de sócio, mas, para tanto, se você não desenvolver sua competência na venda dos produtos e serviços, ou se você já não a tiver, poderá se tornar um grande e respeitado diretor da consultoria, todavia jamais sócio, pois a esse grupo é legada a responsabilidade pela venda, como sua primeira responsabilidade. Isso explica o porquê de alguns executivos que trabalham em grandes consultorias não serem promovidos a sócios (partners). São bons na entrega e gestão dos projetos, porém não possuem a competência da venda e vêm suas carreiras estacionadas.

Antes de definir por seguir essa carreira de consultor, veja se possui – ou pode vir a desenvolver – as duas competências necessárias.

 

Autor: Sami Boulos Filho

 

Continua no próximo artigo da série “Mudanças no mundo corporativo”.